Normalmente, o inverno na Bairrada não atinge temperaturas negativas – embora por vezes se forme geada -, mas a chuva cai com frequência, enlameando os campos e os dias são pequenos e com pouco sol.
Campos agrícolas, R. das Areias
As árvores de folha caduca estão despidas e as videiras, que no outono tinham folhas multicolores, agora não têm nenhuma e, sem agasalho, na sua nudez, estão preparadas para “hibernar”.
Vinhedos, R. das Areias
Os agricultores ficam mais por casa, fazendo as atividades possíveis e necessárias nesta época: os homens preparam as vergas para atarem as cepas depois de podadas, provam e cuidam dos vinhos armazenados nos tonéis da adega, consertam alfaias agrícolas e ajudam na matança do porco. As mulheres cuidam da casa, põem remendos na roupa de trabalho, alimentam os animais domésticos e aproveitam e transformam a carne do porco depois deste estar morto, fazendo chouriços, morcelas, rojões e preparando toda a carne para ser conservada e assim poder servir de sustento à família durante meses.
A natureza está triste e as pessoas, sem sol, ficam um pouco deprimidas e com menos energia para trabalhar. À noite, fazem-se grandes fogueiras nas cozinhas e, depois da ceia, aproveita-se o tempo para conversar, rezar ou fazer rendas.
O Natal chega entretanto e, como que por magia, as energias aparecem e a alegria associada a esta época festiva dá prazer e genica para a preparação do presépio na capela, para a ida às novenas do Deus Menino e para preparar as iguarias próprias desta quadra natalícia, as quais hão-de deliciar novos e velhos.
Videiras antes da poda (esq.); trabalho de poda (direita)
A partir de janeiro, quer chova quer faça sol, é necessário ir podar as vinhas, isto é, cortar todos os ramos que estão a mais nas cepas; as restantes hastes das videiras irão ser atadas com verga (empa) para as fixar e assim permitir que os cachos fiquem bem expostos ao sol e não tenham a possibilidade de serem estragados pelo vento.
Trabalho de poda (esq.) e videiras já podadas (direita)
As mulheres apanham os ramos cortados – as vides – e com eles fazem molhos que irão ser usados nos fornos das casas que assam leitões, ou nos fornos dos lavradores para cozer a broa, assar chanfana ou leitão em dias festivos.
Continuamos a dizer que o vinho é a produção por excelência da nossa aldeia e, por isso, todo o trabalho ligado às vinhas é muito cuidado e todas as novas castas, técnicas e estudos ligados à produtividade e qualidade do precioso néctar são acatados com atenção e interesse por todos os torrienses, nos cursos de atualização ministrados pela Estação Vitivinícola de Anadia.