Matança do porco

Uma tarefa que também se realiza no inverno é a matança do porco. Tentaremos explicar, concretizando, o que se fazia e ainda se faz, hoje, na nossa aldeia.

No dia da matança, faz-se o sarrabulho, que se prepara tal qual nos ensinaram os nossos antepassados.

Confeção do sarrabulho

No dia seguinte, fazem-se, num tacho de cobre ao lume, os rojões de febra, de carnes mais gordas e os do rissô ou “saia da boneca”.

Confeção dos rojões

Nesse mesmo dia, fazem- se também as morcelas ou chouriços de sangue. Passados quatro ou cinco dias, com as carnes de febra que foram, entretanto, temperadas com vinho, sal, especiarias e alho, irão ser feitas as chouriças de carne.

Confeção das morcelas

E por fim, com a carne dos couratos do porco e outras carnes menos nobres, que ficaram também alguns dias em vinho, sal e alho, irão ser feitas as farinheiras, que levam na sua confeção farinha de trigo ensopada com água dos vinhos de alho, as carnes dos couratos e especiarias diversas.

Para que sejam feitos todos estes enchidos, foram previamente lavadas e desinfetadas, com sal e limão, as tripas do animal.

Lavagem das tripas

Estas atividades ligadas à matança do porco proporcionavam um convívio agradável, pois os familiares e vizinhos vinham geralmente ajudar e partilhar o sarrabulho, que era o manjar feito, no dia da matança, para repasto de todos os colaboradores.

Confeção dos chouriços

Folar da Páscoa

Por altura da Páscoa, em Torres e na Bairrada, em geral, é tradição fazer os folares para oferecer aos afilhados, à família e aos amigos.

A visita pascal – tradição de anunciar Cristo ressuscitado de casa em casa – era aproveitada para se fazer troca de folares. Este ano, a visita não se realizou devido à situação de pandemia que vivemos.

A receita é a seguinte:

  • Ingredientes
  • 1kg de farinha de trigo sem fermento
  • 40g de fermento de padeiro
  • 8 ovos
  • 100g de manteiga
  • 3 colheres de sopa de azeite
  • 250g de açúcar
  • Raspa de dois limões
  • 1 pitada de sal

Preparação:

Amassar o fermento com metade dos ovos e um pouco de farinha. Deixar levedar. Juntar a esta massa os restantes ingredientes (a manteiga derretida). Depois de bem amassada, cobrir e deixar repousar a massa até que fique, aproximadamente, o dobro do volume.

Fazem-se pequenas bolas com a massa, que se deixam repousar meia hora. Passado esse tempo, achatam-se as bolas, pincelam-se as bordas com um pouco de óleo ou azeite e dobra-se uma parte sobre a outra, tipo guardanapo. Deixa-se repousar mais 15 minutos. Acende-se o forno com lenha, até ficar suficientemente quente. Limpa-se o lar do forno com um pano molhado para tirar a cinza e evitar que se queime a parte de baixo do bolo. Coloca-se a massa crua sobre uma folha de couve previamente polvilhada com farinha e vai a cozer, cerca de 20 minutos. Também se pode cozer em forno a gás ou elétrico. Bom proveito!

Massa já levedada
Bolas de massa, a repousar
O forno vai-se aquecendo, entretanto
Achatar as bolas, colocando um pouco de azeite nas bordas
Dobrar a massa, tipo guardanapo. Deixar repousar 15 min
Colocar a massa sobre uma folha de couve, e levar ao forno
Deixar cozer cerca de 20 min, e já está!